segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Resenha Crítica- Um gênero do âmbito jornalístico


Ao nos referirmos sobre o âmbito jornalístico, torna-se importante mencionarmos acerca de suas finalidades. Sendo estas, basicamente, voltadas para a informação e para a opinião em se tratando dos acontecimentos sociais como um todo. Entretanto, há também uma outra, cuja intenção é informar aos seus leitores sobre as inúmeras opções voltadas para a cultura e lazer referentes a um determinado local.

A título de comprovação, basta folhearmos algumas páginas de um jornal de grande circulação que lá ela se encontra. Trata-se de uma seção na qual existe toda uma programação relacionada a eventos cinematográficos, teatrais, shows artísticos, ,culturais, passeios, dentre outros.
Conjuntamente a esta, se encontra aquela direcionada para a crítica, cujo objetivo do emissor é descrever sobre o objeto cultural, podendo referir-se a um livro, filme peça teatral, CD, entre outros, com vistas a estimular ou não o leitor a apreciá-lo. Como bem nos revelam Lokatos e Marconi {1996, p. 90}.

Resenha crítica é uma descrição minuciosa que compreende certo número de fatos: é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, resumo, na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista. A resenha crítica em geral é elaborada por um cientista que, além do conhecimento sobre o assunto, tem capacidade de juízo crítico. Também pode ser realizada por estudantes; nesse caso, como um exercício de compreensão e crítica. A finalidade de uma resenha é informar o leitor, de maneira objetiva e cortês sobre o assunto tratado no livro ou artigo, evidenciando a contribuição do autor: novas abordagens, novos conhecimentos, novas teorias. A resenha visa, portanto, a apresentar uma síntese dos ideais fundamentais da obra.
Em se tratando de termos estruturais, pode-se dizer que o gênero possui uma estrutura livre. Tal afirmativa não quer dizer que não seja prioritário o relatar de seus principais aspectos. De modo contrário, faz-se necessário o destaque de alguns elementos, tais como:
* Referência bibliográfica- Autor {es}, título, subtítulo, local da edição, editora e data.
* Dados referentes ao autor- Quando? Por quê? Onde?
* Dados referentes ao objeto analisado- De que se trata? O que diz? Possui alguma característica especial?
* Resumo ou síntese das ideias principais.
* Estilo atribuído pelo objeto de estudo- Conciso, objetivo,simples? Claro, coerente, preciso? Linguagem adequada?
* Forma- Lógica, sistematizada?

Quanto à extensão do texto, esta pode variar conforme o espaço para o qual ela é destinada,sendo que geralmente se perfaz de um texto mais curto,assemelhando-se a um resumo. A título de constatação acerca de tais pressupostos, observe a seguir um exemplo representativo:

Exemplo: Um gramático contra a gramática
{ Gilberto Scarton}

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino { L&PM, 1995, {112}páginas} do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.
Nos 6 pequeno capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla- uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a própria linguística, a postura prescritiva, purista e alienada- tão comum nas "aulas de português".
O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial, gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical, o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial do irrelevante.
Essa fundamentação linguística de que lança mão-traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral- sustenta a tese do Mestre, e o  leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. E, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano: um processo espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra , para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.
Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público { pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história}, tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores- vítimas do ensino tradicional- e os professores de português- teóricos, gramatiqueiros,puristas- têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.

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